Mostrando postagens com marcador Crônicas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Crônicas. Mostrar todas as postagens

Inspirações Infinitas #04






Muita coisa mudou

A relação entre homens e mulheres mudou tanto nos últimos anos que estamos precisando usar legenda.
Nós mulheres deixamos a muito tempo de sonhar com o príncipe no cavalo branco que vem salvar a mocinha. Ora, não precisamos de salvamento e também não somos “mocinha” – vista aqui numa conotação de mulher totalmente frágil, indefesa, sem poder de decisão. Queremos sim, o beijo na boca e um amor correspondido, mas onde há amor a respeito, admiração mútua, um olhar entre iguais e não entre um ser superior (o homem) e um ser inferior (a mulher). Então, por favor, não confundam romantismo com se deixar subjugar.
Fomos conquistando nosso espaço numa sociedade machista, percebendo e afirmando nosso valor, nossa capacidade. Passamos a transitar onde antes dominava a testosterona em alto grau.
Mas após um século inteiro de transformações para chegar ao ponto em que homens e mulheres podem dividir as decisões sobre a mesa e serem amigos, faltou avisar os hormônios. É namoro ou amizade? O que vai ser?
Há quem diga que nesse jogo dos sexos, se não pegou, está pegando, ou vai pegar.
A verdade é que na era da globalização criou-se um vocabulário próprio, e a cada dia surge uma nova linguagem para tentar traduzir as várias formas de se relacionar. Ficante, ficante fixo (rolo), namoro, namorido, amizade colorida...
E não foi só aí que muita coisa mudou! O pó de arroz virou pó-compacto, o rouge virou blush, o brilho virou gloss, o rímel virou máscara para os cílios.
Enfim, outros tempos, outro make up.



Inspirações Infinitas #03



Não pare!

                   Em tempo de total correria pode te soar contraditório alguém dizer “não pare”, então, deixe-me explicar.
Quando uma coisa acaba, outra começa, é assim que funciona. A grande questão é: o que temos feito? Viramos escravos do hábito e simplesmente nos deixamos levar permitindo com isso que, a correria do cotidiano nos imponha a mesma frieza das máquinas, cada vez mais precisas, e que têm substituído o homem na execução das suas tarefas nessa nossa sociedade moderna e futurista, mas que, exatamente por se tratarem de máquinas, são desprovidas de qualquer emoção, não são capazes de tomar suas próprias decisões e muito menos de aprender com seus próprios erros.
É isso mesmo que estamos buscando? Na verdade, tenho a nítida sensação de que a cada dia que passa nos afastamos daquilo que somos para sermos aquilo que nos programaram para ser. Estamos nos distanciando da nossa essência, e sem essência não há perfume, sem perfume não há sabor, sem sabor não conseguimos provar da emoção, e sem emoção deixamos de viver.
O medo é o mais poderoso dos paralisantes. Vivemos numa sociedade ávida por resultados e, à medida que incorporamos suas regras, nos tolhemos um pouco mais por medo de errar, de não entregarmos aos outros o resultado que esperam de nós, e assim, paramos de nos perguntar se estamos felizes, abandonamos nossas escolhas e passamos a agir como as máquinas.
Mas acontece que não existem fôrmas iguais, nós somos únicos, por isso, não se trata de uma produção em série, de fornecermos os mesmos resultados simplesmente por estarmos passando sobre a mesma esteira rolante. Viver é muito mais que isso!
Estar vivo é ganhar uma página em branco todos os dias onde é possível recomeçar, seguir em outra direção, questionar, errar, melhorar, é alimentar sonhos e, com isto, experimentar da maravilhosa sensação de caminhar com os pés fora do chão. Não parar, sequer por um breve momento que seja, de se permitir ser feliz e jamais perder a coragem de virar a mesa quando se está infeliz.
Então, do contrário, é preciso não permitir que a sociedade dite as regras sobre nós e nos diga quando parar.  Sempre seremos e teremos muito mais para dar do que a mais cara e sofisticada máquina que ainda possa vir a ser inventada. Não há do que se envergonhar por nossos enganos e dúvidas, eles apenas nos lembram de que somos humanos e apenas os humanos são capazes de sorrir com a alma e amar.

             

                       
                                                                      


Inspirações Infinitas #02





Ser chique é ser careta

                   Há algum tempo li um texto da Glória Kalil que dizia que: ”O que faz alguém ser verdadeiramente chique não é quanto essa pessoa tem, mas a forma como ela se comporta... Chique mesmo é olhar no olho de seu interlocutor, é desligar o radar quando estiver sentado à mesa do restaurante, e prestar verdadeira atenção à sua companhia. Chique mesmo é honrar sua palavra, é ser grato a quem o ajuda, correto com quem você se relaciona e honesto nos seus negócios...”.
                        Parece absurdo, mas ser chique de verdade pode estar virando utopia numa sociedade que, cada dia mais, inverte seus valores. Não se cumprimenta mais às pessoas, não se têm mais respeito à hierarquia e aos mais velhos, não se pede desculpas;a educação, a orientação e o acompanhamento das crianças na formação do seu caráter deixaram de ser de responsabilidade dos pais e passaram a ser dos professores, e quase tudo que aprendemos está ficando démodé.
                        Dizem que o tempo vale ouro, mas onde está sendo investido o tempo que sobra pela praticidade do uso do micro-ondas, da máquina de lavar louça e lavar roupas, com o pagamento de contas e as compras feitas pela internet, com a comunicação instantânea mesmo a distância, enfim, com toda essa enxurrada de novas tecnologias disponíveis e transformadoras todos os dias?Infelizmente, é fácil responder: Grande parte desse tempo está sendo investido no mal uso de tudo isso.
                        É tão triste ver que a intolerância, a generosidade, o dar sem receber, o prestar atenção em quem está ao nosso lado e não do outro lado da rede social, o tamanho do guarda-roupa e não o da biblioteca, o ser “esperto” e não o ser honesto...estão em evidência e continuam previstos para as próximas tendências.
                        Na era da comunicação a informação parece ser registrada cada dia mais deturpada e ao invés de adicionar valores, a sociedade segue diminuindo cada vez mais o seu status. Pergunto-me até que ponto esta sociedade estava preparada para lidar com tantos avanços no último século, quando a briga por direitos iguais já ultrapassou, e muito,o respeito à ética, a moral e os bons costumes, e ser chique de verdade é ser careta.
                        Como no mundo da moda, onde tudo está sempre se reciclando, não vejo a hora de assistir a um desfile retro, onde possa apreciar alguns bons e velhos costumes, conceitos e valores na nossa sociedade, e ser chique deixe de ser careta, e passe a ser fashion.   



              

Inspirações Infinitas #01






Ela, a famosa Lista

                    Dia 06 de janeiro, dia em que se comemora o Dia de Reis, o dia em que Jesus recém-nascido recebeu a visita dos três Reis Magos do Oriente – Belchior, Gaspar e Baltazar – e que, segundo a tradição cristã, marca o encerramento dos festejos natalinos.
 É hora de guardar o presépio, desmontar a árvore de natal e retirar todos os enfeites. A vida vai retomando a sua rotina, a casa volta a ter seu encanto natural, mas carrego comigo uma nova “lista”. Nela, a cada início de ano, costumo rabiscar novos sonhos, estipular novas metas e novos desafios. Na mágica dos nossos dias, a que nos habituamos a chamar de calendário, tudo começa a contar outra vez, e com isto, renova-se a esperança.
 Como um pirata que parte do porto aspirando por encontrar o ouro, eu saio à caça do baú com meu tesouro – realizações e conquistas. É vida que segue, nos encanta, nos desafia, nos obriga a superar, nos surpreende, nos dá a chance de se reinventar, se consertar, fazer e, por vezes, refazer, mas, sobretudo, aprender que o tempo não volta sequer um segundo, e aí, quando vemos o “e se” já ficou para trás.
                          Acreditar que é possível, fazer acontecer, e então,olhar da lista o que se tem e, se emocionar com o possível, se encantar com o extraordinário, esquecer o que for preciso, agradecer, e mais uma vez recomeçar.